economia-materiaSempre que um ano termina e outro começa, revemos o que foi feito e planejamos os próximos 12 meses. Olhando no retrovisor da TI brasileira em 2014 vemos que o setor teve um faturamento por volta de R$ 12,6 bilhões. É um bom número, mas se olharmos um pouco mais atrás, veremos que este valor é 5% menor que os R$ 13,3 bilhões de 2013. As informações são da Associação Brasileira dos Distribuidores de Tecnologia da Informação, Abradisti, que tradicionalmente faz um balanço da TI nacional. A pesquisa indica que o vilão dessa queda é a venda de equipamentos. Mas, o que pode ter causado essa redução?

Analisando este gráfico, Jorge Steffens, presidente do conselho da DLM Invista – empresa que gere recursos financeiros – vê a redução nas vendas de hardware como uma questão ligada ao momento econômico “com certeza um dos motivos é a economia, que em função do pessimismo atual em relação ao cenário futuro gera uma retração”. Jorge vê ainda outros indicadores para a queda “mas entendo que o outro motivo esteja mais ligado ao aumento da modalidade SaaS, Software as a Service, onde em vez de comprar licenças de software, eu passo a pagar um valor mensal por uso”. O presidente do conselho da DLM explica que, ao alterar a compra de sistemas para a modalidade de assinatura mensal, as empresas também reduzem a necessidade de novos equipamentos, aprimorando o uso do hardware.

O assessor de economia da presidência da Fiemg, Guilherme Velloso Leão, enumera outros fatores para explicar a queda na venda de equipamentos de informática “entendo que a produção e comercialização de hardwares também têm relação direta com o emprego, a renda da população e o crédito ao consumo. Na medida em que estamos vendo o ressurgimento do desemprego na economia, a estagnação da massa salarial e a gradual estabilização do crédito ao consumo, certamente que produtos como o computador, que não representa um bem de primeira necessidade, sofre impacto nas suas vendas”. Neste ponto, é bom relembrar que, entre o sempre lento início de ano no país, com o Carnaval em março, a Copa do Mundo e as eleições presidenciais, 2014 foi um ano incomum, com movimento financeiro muito abaixo das previsões.

Mas, como toda moeda tem dois lados, se houve queda no consumo de hardware, houve crescimento na venda de software. Fato que pode também ser creditado à migração de comportamento das empresas, como disse Jorge Steffens, da DLM. A venda de games, por exemplo, subiu 6%.

Um estudo da consultoria Cullen International, que se baseia em levantamentos do European Information Technology Observatory, aponta que a venda de produtos e serviços do setor de software no Brasil deve crescer 10,4%, chegando aos € 122 bilhões em 2014. O número que chama a atenção agrega comunicação e TI. O vetor ascendente coloca o país na segunda posição na expansão desse mercado no mundo, ficando atrás apenas da Índia. Globalmente, a tecnologia da informação e comunicação, TIC, pode crescer 4,1% e alcançar € 2,96 trilhões no ano. O estudo da Cullen revela que nos últimos anos o mercado de telecomunicações brasileiro se expandiu de forma contínua, aumentando em 4,4% as receitas de 2013 e 5,3% em 2012, algo como 4,7% do PIB.

Se a balança de 2014 oscilou positiva e negativamente, a de 2015 pode ter resultados diferentes. A economia como um todo não deve gerar milagres, mas a TI pode navegar por mares mais favoráveis. Confirmando a opinião do presidente do conselho da DLM Invista, Jorge Steffens, de que há uma clara tendência de investimento pelas empresas em softwares, o Gartner Group prevê que as companhias brasileiras invistam cerca de 5,7% do orçamento na criação e manutenção de soluções de TI, movimentando US$ 125,3 bilhões. Steffens afirma que “o uso de SaaS e Cloud deve crescer no mundo nos próximos anos e em países onde o custo do dinheiro é alto, como o Brasil, deve crescer mais ainda, pois quando o custo do dinheiro é alto, é melhor ter despesas que decorram do uso, do que colocar dinheiro na frente como investimento”.

O economista da Fiemg, Guilherme Velloso Leão, é igualmente otimista quanto ao cenário da TI para este ano “percebo um potencial muito grande no mercado de TI, seja para a produção e vendas de hardwares ou softwares. 2015 também não será um ano fácil. Mas numa visão de longo prazo, o Brasil tem um potencial muito grande. E na área de softwares, não é possível pensarmos no avanço da produtividade do trabalho e do capital, problema número 1 do Brasil, sem a integração com a TI. Não consigo imaginar um país que almeja ser desenvolvido sem a completa integração digital”.