dinheiro_no_pcPesquisa da consultoria IDC Brasil prevê crescimento de 9,2% neste ano para o setor de Tecnologia da Informação e Telecomunicações. A perspectiva é que o país consolide sua posição como 4º maior mercado de TIC do mundo. Calcula-se que os investimentos em TI e Telecom cheguem a US$ 175 bilhões neste ano, e que as vendas brasileiras de desktops, notebooks, tablets e smartphones alcancem os 71 milhões. 

De acordo com a IDC Brasil, as tecnologias da 3ª plataforma – soluções baseadas em mobilidade, cloud, bia data e social business – estão alinhadas ao aumento da influência dos executivos de negócios nos investimentos de TI, comprando soluções cada vez mais específicas para suas indústrias. A estimativa é que US$ 6 bilhões do volume de investimentos em TI venham diretamente do orçamento de negócios.

A combinação de novos dispositivos – smartphones, tablets e outros dispositivos sem fio – e novas aplicações – comunicações unificadas, vídeo, virtualização, gerenciamento de dispositivos móveis, fará com que a 3ª plataforma estimule o upgrade das redes corporativas, capacitando-as para o aumento do volume de dados. Segundo o IDC Networking Tracker, o volume mundial de informações digitais alcançará 5,4 Zettabytes em 2014 – 1 zetta corresponde a 1 trilhão de gigabytes.

A 3ª plataforma deverá provocar o aumento da venda de serviços de telecomunicações, com principal foco na transmissão de dados. Previsões apontam um crescimento de 9,7% nos serviços de dados fixos, 21% de dados móveis e 13% na oferta de data centers. A segurança de redes de longa distância – WAN – também deve ganhar espaço na agenda dos CIOs. A probabilidade é que a rede 4G esteja em plena operação comercial até o final do ano, atingindo uma base de 3 milhões de assinantes.

O presidente da Fumsoft, Leonardo Fares Menhem, analisa a pesquisa do IDC e acredita que “O crescimento do mercado de TI, como previsto, continua bem acima dos demais setores da economia. Este fenômeno se traduz em uma grande oportunidade de negócios, desde que as empresas e o setor estejam preparados para surfar esta onda. São desafios diversos, desde os tecnológicos, formação de mão de obra, até as questões relacionadas com gestão e posicionamento de mercado. Penso que as médias empresas são as que têm maiores dificuldades para se posicionarem nesse cenário, de modo a traduzir a pujança do mercado em crescimento de receita, margem e empregos. O MGTI tem tentado endereçar estes aspectos e, como não é uma tarefa trivial, é fundamental que os empresários, que estão na linha de frente, se envolvam na discussão e construção das melhores e mais rápidas formas de pegarmos carona nesta onda”.

Novas direções

Outra tendência forte para 2014 é o amadurecimento das estruturas de Big Data/Analytics, que deverão movimentar cerca de US$ 426 milhões no país, divididas entre hardware, software e serviços, apesar de desafios como a escassez de mão de obra especializada e da concorrência com outras prioridades, como a nuvem e a mobilidade. A principal aplicação ainda será o chamado “Socialytics”, para captura e análise de dados gerados nas redes sociais.

Esta tendência criará a necessidade de se investir na capacitação de profissionais, e deverá provocar o surgimento de empresas ‘data brokers’ ou ‘analytics providers’. Os provedores de soluções e fabricantes terão que se preparar para demonstrar que a nova tecnologia pode gerar maior valor em relação ao Analytics tradicional.

Os datacenters terão um papel fundamental nesta evolução do mercado e a necessidade de aprimoramento deverá provocar um ciclo de renovação, no qual mais de 20% dos servidores vendidos no Brasil em 2014 serão destinados a centros de dados. A busca por Colocation e Hosting continuará forte, mas haverá, porém, um grande crescimento na contratação de IaaS (infraestrutura como serviço), e a legislação nacional deverá impactar positivamente na adoção de datacenters locais.

A adoção da nuvem pública, estimulada pela modernização das aplicações, é outra forte tendência. Os investimentos neste setor deverão atingir os US$ 569 milhões neste ano, para 2017 a tendência é que estes valores cheguem a US$ 2,6 bilhões.

A mobilidade continuará em alta. A migração dos usuários para dispositivos móveis deverá se manter acelerada em 2014. Smartphones e tablets deverão encerrar o ano com vendas acima de 58 milhões de unidades, chegando a 81% de participação no mercado de Smart Connected Devices, aumentando seu espaço sobre desktops e notebooks. Os “phablets”, híbridos de telefones e tablets, ainda dão seus primeiros passos, mas lançamentos de smartphones com telas grandes, acima de cinco polegadas, movimentarão esse segmento neste ano.

Os dirigentes de empresas já perceberam a importância de uma estratégia de mobilidade integrada, que contemple o gerenciamento de dispositivos móveis. Cálculos apontam que acima de 5 milhões de dispositivos pessoais poderão vir para dentro das empresas neste ano, na tendência chamada ‘traga seu próprio dispositivo’. A chegada de notebooks e tablets dos empregados implicará na necessidade de dispor de uma base de gestão móvel para garantir a segurança e administrar diferentes componentes: dispositivo, conectividade, aplicativos, segurança, acesso, identidade, conteúdo, controle de informação, análise e apresentação de relatórios. Outro foco importante é a modernização dos aplicativos que rodam em dispositivos móveis.

A IDC Brasil destaca ainda a aceleração da “Internet das coisas” com aplicações corporativas. A previsão é que as soluções tecnológicas que permitem comunicação contínua e autônoma entre máquinas e dispositivos movimentem US$ 2 bilhões em 2014 no Brasil. Hoje, as iniciativas mais significativas neste sentido estão no setor de logística e transportes, no gerenciamento de frota, mas as áreas de saúde, seguro automotivo, automação de processos industriais e energia também devem desenvolver projetos baseados neste conceito de conectividade.