*Artigo redigido pelo consultor de Marketing e diretor da Fumsoft, Wilson Caldeira

Normalmente em nossas atividades relacionadas ao mundo dos negócios no setor de TI, somos lembrados que existe um lugar no planeta, chamado de Silicon Valley, onde a atividade empreendedora nesse segmento é avassaladora. Ouvimos tanto esse mantra, que deixamos de prestar atenção ou mesmo não nos aprofundamos em relação ao que isso significa de verdade. Entretanto, apenas uma semana por lá é suficiente para vermos, ouvirmos e aprendermos o que significa de fato essa grandeza. Vejamos, então.

Em uma área pouco maior que a região metropolitana das grandes cidades brasileiras, concentram-se mais de 8.000 empresas de TI, sendo que entre elas estão Google, Facebook, Sales Force,  isso para falar das novas, sem contar com HP, Sun e outros gigantes mundiais do setor. É claro que em um ambiente desse tipo, dinheiro e disposição para investir não faltam.  Essas empresas são “cercadas” por um lado da baía de São Francisco pela Universidade de Berkley e pelo outro por Stanford (como ficar imune a tanto conhecimento?), que se orgulham de possuir laços fortes com o mundo dos negócios (não somente se orgulham, mas fazem isso acontecer de verdade).

Mas a vida é de fato injusta com outros lugares em nosso planeta e, nos últimos anos, juntou-se a essa turma o fenômeno das aceleradoras de empresas. Na minha humilde opinião, nem precisava, pois lá já é tudo normalmente acelerado, existe muita informalidade no relacionamento entre as pessoas (professores, jovens empresários, gente experiente, etc.) e as coisas se encaixam e acontecem.

 Exemplo? Pelo simples fato de estar por lá, tive a oportunidade de assistir uma palestra em Stanford, cujo palestrante foi professor do Mark Zuckerberg  (Facebook) e hoje é conselheiro da empresa (uma semana antes, essa possibilidade sequer me passava pela cabeça).

 Baseado nesse fenômeno, existem hoje no mundo diversos movimentos de aceleração de startups de TI, o que é louvável. Todavia, é importante termos em mente que, apesar de ter “computador” envolvido, não dá para simplesmente fazer “copy and paste” e num passe de mágica termos o nosso Vale do Silício, pois estamos falando de um ecossistema cultural e não somente de um modelo de negócios ou de um comportamento “cool” e intensivo de jargões em inglês.

 Assim, muito trabalho tem que ser feito e isso leva tempo, mas a melhor hora para começar é agora. Acredito que os primeiros passos firmes nessa direção estão sendo dados pelo Programa Start-Up Brasil, pelo trabalho conjunto das entidades de TI em Minas Gerais (Assespro-MG, Fumsoft, Sindinfor e Sucesu Minas) e pelo apoio dos governos municipal de Belo Horizonte e estadual de Minas Gerais, através do projeto Acelera-MG (no curto prazo) e do projeto MG TI  2022 (no longo prazo).

Se você não está informado desses programas, as entidades de TI são o seu ponto de apoio para a compreensão e participação da sua empresa. Se você é jovem e pretende empreender (e tem todo tempo do mundo para isso) ou se você é um empresário já experiente no segmento de TI  mas acha que está na hora de pensar diferente (e não tem tempo a perder com isso), vá ao Silicon Valley e faça um MBA “self-service”, apenas conversando com as pessoas e fazendo relacionamentos.