De um modo geral, eventos de tecnologia muito badalados e com um grande volume de pessoas, costumam gerar expectativas infladas antes de sua realização e várias decepções ao seu término.

Confesso que tinha um pouco desse receio também em relação ao Websummit, que pelo segundo ano consecutivo é realizado em Lisboa, e que pela primeira vez tive a oportunidade de participar como expositor na área destinada a startups de todo o mundo, isto é, o programa Alpha.

A Canguru (startup com foco em saúde gestacional da qual faço parte) foi selecionada para esse programa Alpha no setor de MedTechs. Dessa forma, nos preparamos e inflamos as expectativas em relação ao resultado pretendido para nossa participação nesse evento de 2017, que contou com um público de mais de 60.000 pessoas por dia.

Qual era o resultado pretendido? Bastante simples e objetivo, ou seja, expor nossa visão de negócios para culturas diferentes em termos de fornecedores, clientes, investidores e parceiros de forma que pudéssemos vislumbrar em quais outras regiões do planeta nossa visão de negócio faria sentido.

E qual foi nossa surpresa? Ao invés da decepção veio a superação das expectativas mais infladas, pois o que percebemos foi a (enorme) oportunidade de ter uma variedade de culturas, modelos e pontos de vista se expondo para nossas mentes, influenciando e ampliando nossa visão e modelo de negócios. Arrisco afirmar que é uma fase do “Lean Startup” ampliada e com visão global.

De alguns países localizados na Europa nórdica tivemos feedbacks sobre o modelo cultural de se preservarem com informações de caráter pessoal via redes sociais. De outros países, como o Leste Europeu por exemplo, muita similaridade com a forma brasileira de se tratar de saúde pública e privada. Até curiosidades como em países, que em função da cultura local, as gestantes preferem fazer o pré-natal com profissionais da saúde do sexo feminino e outros onde a preferência recai sobre profissionais do sexo masculino.

Qual a sugestão? Expanda a visão tradicional de internacionalização para o conceito de inserção no contexto global, isto é, sua startup certamente tem que nascer com uma visão ampla e um foco inicial de validação bem definido, mas você não precisa necessariamente enxergar apenas o mercado do seu país para depois enxergar outros mercados.

Acredito que uma simples pergunta que fazíamos ao final de cada apresentação, pedindo uma opinião direta, fez uma grande diferença nesse grande aprendizado: “Isso faz sentido no seu país? O que você mudaria em nossa solução?”

Não fique satisfeito em “apenas” se mostrar para o mundo… deixe que o mundo se exponha para sua startup. Tente e se surpreenda!

Wilson CaldeiraPossui especialização em Inovação & Empreendedorismo pela Stanford University e em Gestão pela Fundação Dom Cabral. Pós-graduado em Marketing pela FGV e graduado em Ciência da Computação pela UFRJ. CEO & Co-founder da Caldeira Marketing, Sócio Diretor da startup Canguru, VP da Assespro-MG e Diretor de empreendedorismo da FUMSOFT. Atua como Consultor, Mentor e Empreendedor. Professor convidado da HSM Educação Executiva e da Fundação D. Cabral.